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SOAPA-Leme
 
Recomposição Florística na Escarpa Rochosa
   
 
A vertente oeste do Morro do Leme, voltada para as Praias do Leme e de Copacabana, acima do Caminho do Pescador, é alvo de inúmeros incêndios. Eles se dão principalmente nas festas juninas e de “reveillon”, colocados por pessoas através de balões e fogos de artifício. Este ato é crime ambiental porém a impunidade estimula sua repetição.
   
 
  Foto 1:

Incêndio nas colônias de bromélias, cactos, orquídea Brassavola tuberculata e velósia-roxa Pleurostima purpurea da escarpa rochosa.

(Foto: PS)

   
 

Foto 2:

Vê-se as áreas queimadas pelo incêndio (escuras, no centro).
A vegetação nativa, com suas plantas ameaçadas de extinção, foi parcialmente destruída.

(Foto: PS)

 
   
 
 
Foto 3:

Capim-colonião invade a encosta após o incêndio (embaixo e centro). É ameaça para a floresta onde se destacam (acima) as palmeiras jerivás Syagrus rommanzofiana.

(Foto: PS)

 
   
 
Em 1990, obtivemos o apoio voluntário do Grupo Ação Ecológica - GAE e seus montanhistas, para recuperar esta área foco de incêndios num mutirão com a Fundação Parques e Jardins.

Este trabalho pioneiro de revegetação em escarpa consiste primordialmente na limpeza da área tomada pelo capim-colonião Panicum maximum através de sua remoção, utilizando-se para acesso a técnica de escalada. Procede-se também, quando possível, ao plantio de espécies nativas do ecossistema. Assim, se protege de incêndio a floresta primária remanescente no entorno.

   
 
 
Foto 4:

Mutirão de revegetação na escarpa, em dezembro de 1990. Amaleme participa. O GAE dá segurança à equipe da Fundação Parques e Jardins.

(Foto: PS)

 
   
 
Em fevereiro de 1996, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SMAC retomou o trabalho, contratando os escaladores do GAE para desenvolver e executar nova etapa do projeto. O trabalho foi de extremo sucesso. A Natureza aproveitou a ajuda e desenvolveu bem a vegetação nativa, por 3 anos, até 1999.
   
 
   
  Fotos 5, 6 e 7:

Instalação de corda junto a colônia de bromélia Neoregelia cruenta.

Batendo grampo de 1/2" para segurança e acesso a platôs acima da Praia do Leme.

Rapel, através de cactos-de-cabeça Cephalocereus fluminensis, para acesso e remoção das touceiras de
capim-colonião acima do "Forte do Leme".

 

(Fotos GAE - Lucia Duarte)  
 
   
 
  Foto 8:

Remoção de parte do capim-colonião retirado, nesta manhã, acima do Caminho dos Pescadores.

O restante do material roçado está escondido ao pé da vegetação remanescente, protegendo o solo.

(Foto: PS)


   
 
Após 1996, não houve manutenção do trabalho. Além disso, cidadãos atearam fogo ao local novamente, implicando prejuízo ambiental à APA e pecuniário à Prefeitura. Os incêndios quase sempre se deram em festas juninas e eventos de “reveillon”. Houve estes novos incêndios ali em 20/6/1999; nos dias de festa junina na Praça Júlio de Noronha em 24/6/2001, 22/6/2002 e 6/7/2002; e também na passagem de ano de 31/12/2002.

Cada queimada aumentou a área de capim-colonião e potencializou o risco e a intensidade de novos incêndios, que levam à destruição da vegetação rupícola - a vegetação nativa sobre as rochas.

São agressões à Zona de Vida Silvestre (ZVS), da Área de Proteção Ambiental (APA) do Morro do Leme, que segundo seu Plano Diretor (Decreto 14.008 /95), se estende até o topo do morro.

   
 

 

Foto 9:

Equipe do GAE que desenvolveu e executou o projeto de revegetação da escarpa, para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente - SMAC, em 1996.

(Foto: PS)

 
 
 

Apêndice - Flora rupícola nativa que se destaca nesta vertente oeste do Morro do Leme.

(Acompanha a categoria de vulnerabilidade do taxon no Rio de Janeiro)

   
 
Bromélias (Bromeliaceae)
  - Alcantarea glaziouana = Vriesea regina (ameaçada: VU, vulnerável)
  - Tillandsia araujei
  - Vriesea goniorachis (ameaçada: VU, vulnerável)
  - Neoregelia cruenta (ameaçada: VU, vulnerável)
   
Cactos (Cactaceae)
  - Coleocephalocereus fluminensis cacto-de-cabeça, cacto-cabeludo (ameaçada: VU, vulnerável)
  - Pilosocereus arrabidae
   
Orquídea (Orchidaceae)
  - Brassavola tuberculata
   
Outras:
  (Velloziaceae) - Pleurostima purpurea velósia-roxa (ameaçada: EN, em perigo)
  (Melastomataceae) - Tibouchina bulbosa
  (Gesneriaceae) - Sinningia bulbosa = Rechsteineria bulbosa
   
 

Observações:
1. No entorno da vegetação rupícola, na faixa arbustiva em direção ao topo do morro, temos as ameaçadas:
(Apocynaceae) - Aspidosperma gomezianum pequiá-das-pedras (ameaçada: EN, em perigo)
(Clusiaceae = Guttiferaceae) - Clusia fluminensis cebola-da-praia (ameaçada: VU, vulnerável)
(Moraceae) - Dorstenia arifolia caapiá, caiapiá (ameaçada: VU, vulnerável) (IBAMA, portaria 06-N/92)

2. Ver: "Espécies ameaçadas de extinção no Município do Rio de Janeiro", SMAC, Prefeitura do Rio, 2000.

 

 
P.S. 3/2003
   
 
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